Em 2026 os minicursos ocorrerão nos dias 16, 17 e 18 de junho (terça, quarta e quinta), no Campus Santa Mônica da Universidade Federal de Uberlândia.
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14:00 – 15:30
Resumo
O presente minicurso tem como eixo central o problema da ambiguidade da natureza (status) da imaginação na Crítica da Razão Pura, de Immanuel Kant. Partindo de uma breve reconstrução histórica do concept do conceito de imaginação na filosofia moderna, o curso busca mostrar como Kant atribui a essa faculdade um papel fundamental na síntese do conhecimento, ao mesmo tempo em que apresenta formulações que tornam seu status incerto entre sensibilidade e entendimento. O objetivo principal é apresentar e analisar esse problema interpretativo, bem como discutir três vertentes relevantes que procuram resolvê-lo, representadas por Mario Caimi, Martin Heidegger e Olavo Calábria. Ao final, pretende-se avaliar em que medida essas interpretações conseguem lidar com as tensões presentes nos textos kantianos.
Do ponto de vista metodológico, o minicurso será conduzido por meio de exposição oral, leitura conjunta de passagens selecionadas da Crítica da Razão Pura e de textos secundários, além de momentos de debate orientado. A proposta é que os participantes acompanhem diretamente os textos e sejam incentivados a levantar problemas e possíveis soluções ao longo dos encontros.
A relevância do minicurso se encontra no fato de que a discussão sobre a imaginação em Kant é central para compreender a relação entre sensibilidade e entendimento, sendo decisiva para a própria estrutura da epistemologia kantiana. Além disso, trata-se de um tema que ainda suscita divergências interpretativas importantes, o que o torna especialmente produtivo para discussão em nível de graduação e pós-graduação.
Conteúdo programático
1º encontro
No primeiro encontro do minicurso será feita uma introdução ao tema, com uma breve exposição da faculdade da imaginação na história da filosofia moderna. Partiremos de Descartes, onde a imaginação aparece como uma função subordinada ao entendimento quando este se volta às coisas sensíveis; passaremos por Hume, que confere à imaginação um papel relevante na produção do hábito; e culminaremos em Kant, onde essa faculdade assume uma função central na síntese do conhecimento e na produção do esquema.
Entretanto, para que o ouvinte compreenda as características e funções que Kant atribui à imaginação, é necessário apresentar alguns conceitos básicos de sua epistemologia. Assim, após essa exposição histórica, será feita uma introdução a esses conceitos, utilizando principalmente as duas edições da Crítica da Razão Pura (1781/1787) e a obra Uma iniciação à Crítica da Razão Pura de Immanuel Kant, de Olavo Calábria. Serão abordadas as capacidades fundamentais do ânimo (sensibilidade e entendimento), as representações correspondentes a cada uma (intuições e conceitos) e seus critérios de diferenciação, bem como a definição da faculdade da imaginação e sua natureza inicial.
O cerne do encontro está na análise de passagens da Crítica da Razão Pura em que Kant caracteriza a imaginação de maneiras distintas. A partir dessas passagens, será apresentada a ambiguidade da natureza dessa faculdade, evidenciando os principais problemas que orientam o minicurso. Essa problematização servirá de base para o desenvolvimento dos encontros seguintes.
Ao final do encontro, o participante será capaz de:
• identificar o papel da imaginação na filosofia moderna;
• compreender os conceitos básicos da epistemologia kantiana;
• reconhecer a ambiguidade nas definições kantianas da imaginação.
2º encontro
No segundo encontro, retomando a ambiguidade apresentada anteriormente, será feita a revisão de três concepções principais acerca da natureza da imaginação, que procuram solucionar esse problema interpretativo. Cada concepção será representada por um autor: Mario Caimi, Martin Heidegger e Olavo Calábria.
A vertente de Caimi defende que a imaginação deve ser assimilada ao entendimento, isto é, trata-se de uma faculdade de caráter intelectual que exerce uma função vinculada ao entendimento. Para compreender essa posição, será utilizado o texto Comments on the Conception of Imagination in the Critique of Pure Reason, com comparação direta com passagens em que Kant associa a imaginação à sensibilidade.
Em seguida, será apresentada a interpretação de Heidegger, a partir da terceira seção de Kant e o problema da metafísica, segundo a qual a imaginação constitui a raiz comum entre sensibilidade e entendimento, assumindo um papel ainda mais fundamental do que essas duas capacidades.
Por fim, será discutida a posição de Calábria, que interpreta a imaginação como uma faculdade sensível. O ponto central dessa leitura é a ideia de uma conduta heterônoma da imaginação, isto é, uma faculdade que, embora pertença à sensibilidade, também atua conforme regras do entendimento. O esquematismo aparece como o exemplo mais claro dessa relação.
Ao longo da exposição, serão feitas comparações constantes com os textos kantianos, de modo a avaliar o alcance e os limites de cada interpretação. Nesse momento, explicita-se um impasse central: como conciliar o caráter ativo da imaginação com a receptividade própria da sensibilidade. Esse problema será aprofundado no encontro seguinte.
Ao final do encontro, o participante será capaz de:
• distinguir as principais interpretações sobre a imaginação em Kant;
• relacionar essas interpretações com passagens da obra kantiana;
• compreender o problema da relação entre atividade e receptividade.
3º encontro
No terceiro encontro, será feita a retomada das passagens ambíguas ou aparentemente contraditórias da Crítica da Razão Pura, já trabalhadas anteriormente, juntamente com a análise de novos trechos relevantes. O intuito é reforçar a percepção das alterações que Kant realiza na segunda edição da obra e como elas impactam a compreensão da natureza da imaginação.
Além disso, será apresentada a definição de imaginação na Antropologia de um ponto de vista pragmático, que também tensiona a possibilidade de um status intelectual dessa faculdade. A partir dessas análises, será discutido de forma mais direta o conflito entre o caráter receptivo da sensibilidade e a atividade atribuída à imaginação, retomando o problema central do minicurso.
Por fim, será feita uma comparação entre as vertentes apresentadas no segundo encontro, avaliando em que medida cada uma consegue solucionar (ou não) os problemas levantados. O encontro será concluído com um momento de debate aberto, em que os participantes poderão propor questões e interpretações próprias.
Ao final do encontro, o participante será capaz de:
• analisar as diferenças entre as edições da Crítica da Razão Pura no que diz respeito à imaginação;
• avaliar o problema da relação entre imaginação e sensibilidade;
• comparar criticamente as interpretações discutidas ao longo do minicurso.
Referências Bibliográficas
ALVES, Apollo César Abdelnur. Desafios na interpretação sobre a natureza da Faculdade da Imaginação em Immanuel Kant. 2025. 37 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Filosofia) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2025.
CAIMI, Mario. Comments on the Conception of Imagination in the Critique of Pure Reason. In: Internationalen Kant-Kongresses: Recht und Frieden in der Philosophie Kants, 10., 2005, São Paulo. Akten... Org. por V. Rohden, R. R. Terra, G. A. de Almeida, M. Ruffng. Berlin: De Gruyter, v. 1, p. 39-50, 2008.
CALABRIA, Olavo P. A faculdade da imaginação em Kant. In: WUNENBURGER, Jean-Jacques; ARAÚJO, Alberto Filipe; ALMEIDA, Rogério de (Coord.). Os trabalhos da imaginação: abordagens teóricas e modelizaciones. João Pessoa: Editora da UFPB, 2017. p. 333-353.
CALABRIA, Olavo P. A imaginação de Kant e os dois objetos para nós: e ainda, a propósito da doutrina do Esquematismo e das duas Deduções das categorias. Tese (Doutorado em Filosofia). Belo Horizonte/MG. Departamento de Filosofia da FAFICH – UFMG, 2012.
CALABRIA, Olavo P. Uma iniciação à Crítica da Razão Pura de Immanuel Kant. Uberlândia: EDUFU, 2024. (Textos Fundamentais Para a Formação em Filosofia, v. 2).
CARVALHO, Flávio. Anotações sobre o problema da imaginação na filosofia de Immanuel Kant. Problemata: Revista Internacional de Filosofia, v. 9, n. 1, p. 179-200, 2018.
DESCARTES, R. Meditações sobre Filosofia Primeira. Tradução de Fausto Castilho. Campinas: Editora Unicamp, 2004.
HEIDEGGER, M. Kant e o problema da metafísica. Tradução de Alexandre Franco de Sá e Marco Antônio Casanova. 1. ed. Rio de Janeiro: Via Verita, 2019.
HEIDEGGER, M. Kant und das Problem der Metaphysik. Gesamtausgabe. Bd.03. Frankfurt am Main: Vittorio Klostermann, 1991.
HUME, D. Investigações sobre o entendimento humano e sobre os princípios da moral. Tradução de José Oscar de Almeida Marques. São Paulo: Editora UNESP, 2004.
KANT, Immanuel. AA 03 - Werke: Kritik der reinen Vernunft (A), 1968.
KANT, Immanuel. AA 04 - Werke: Kritik der reinen Vernunft (B); Prolegomena; Grundlegung zur Metaphysik der Sitten; Metaphysische Anfangsgründe der Naturwissenschaft, (1968).
KANT, Immanuel. AA 07 - Werke: Der Streit der Facultäten [1798a]; Anthropologie in pragmatischer Hinsicht [1798b], 1968.
KANT, Immanuel. Antropologia de um ponto de vista pragmático. Tradução Clélia Aparecida Martins. São Paulo: Iluminuras, 2006.
KANT, Immanuel. Crítica da Razão Pura. Tradução de Manuela Pinto dos Santos e Alexandre Fradique Morujão. 5ª edição. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2001.
KANT, Immanuel. Manual dos cursos de Lógica Geral. Tradução de Fausto Castilho. 3 ed. Campinas: Editora da Unicamp, 2014.
PIMENTA, Pedro Paulo Garrido. A antropologia na encruzilhada: resenha do livro Antropologia de um ponto de vista pragmático, de Immanuel Kant. Cadernos de Filosofia Alemã, n. 09, p. 127-140, 2007.
1. Resumo
O minicurso propõe uma exposição sobre Inteligência Artificial Generativa no que tange os impactos sobre considerações acerca da cognição, ética e religião, com o objetivo de oferecer ao público não apenas uma compreensão teórica sobre a IA, mas também instrumentos críticos para avaliar seus impactos práticos na sociedade contemporânea. Ao longo de três dias, serão abordadas questões centrais que atravessam desde a natureza da mente até os desafios éticos e as implicações sociais do uso de sistemas de IA, valendo-se a conexão de fundamentos filosóficos com situações concretas e atuais. A pretensão é conduzir o minicurso por meio de leitura de excertos das obras, exposição oral dos conceitos fundamentais e espaço para participação ativa do público. Além disso, serão mobilizados exemplos práticos e estudos de caso (como o problema da lacuna de responsabilidade, vieses algorítmicos, manipulação informacional e o uso de IA em contextos religiosos) com o intuito de aproximar a discussão filosófica da realidade vivida. Também haverá espaço para esclarecimento de dúvidas, especialmente em relação a normativas recentes, como a portaria do CNPq sobre o uso de IA na pesquisa científica, promovendo um diálogo aberto sobre práticas éticas no uso dessas ferramentas. A relevância do minicurso justifica-se pela crescente centralidade da IA nas esferas científica, social e cultural, o que demanda uma análise filosófica e interdisciplinar. Ao articular autores como John Searle, Luciano Floridi e Marilena Chaui, bem como documentos institucionais em vigor, o curso busca evidenciar que os desafios da IA têm diversas facetas e demandam atenção. Nesse sentido, a proposta visa contribuir para a formação crítica dos participantes, capacitando-os a reconhecer os limites da IA, refletir sobre seus riscos e potencialidades e adotar uma postura responsável diante de seu uso - enquanto docente, usuário ou cidadão esclarecido.
2 Conteúdo Programático
2.1 Dia 1 | Distinções entre a mente humana e a inteligência artificial
O primeiro dia terá um caráter introdutório e focará na filosofia da mente para desmistificar a ideia de que as máquinas podem pensar como os humanos. A partir da teoria de John Searle, explorar-se-á os limites computacionais e a singularidade da consciência humana. O objetivo é habilitar o público a compreender que, nessa teoria, a inteligência artificial (doravante, IA) realiza apenas simulação e manipulação sintática de dados, não possuindo a intencionalidade intrínseca, consciência e compreensão semântica que são exclusivas da biologia da mente humana. Abaixo apresento as seções programadas:
- IA forte vs. fraca: A distinção entre usar o computador como uma ferramenta útil e limitada (IA fraca) e a premissa de que um programa de computador complexo é, por si só, uma mente com estados cognitivos reais (IA forte);
- O experimento do quarto chinês: A demonstração clássica de que as máquinas operam exclusivamente por regras formais (sintaxe). Mesmo que a IA produza respostas perfeitamente coesas, ela apenas manipula símbolos sem possuir qualquer compreensão real do seu significado (semântica);
- A ilusão da intencionalidade e a consciência biológica: A diferenciação entre a intencionalidade intrínseca (fenômeno biológico humano de ter crenças, desejos e sentimentos reais) e a intencionalidade “como-se” ou derivada (aquela que nós projetamos nas máquinas). Visa-se explanar como a consciência é, conforme Searle, uma propriedade biológica emergente, que não pode ser replicada apenas executando um algoritmo em um hardware;
- A Importância do Background Experiencial: Explicação da teoria Searleana de que a cognição humana depende de um contexto (o Background), que é um conjunto de capacidades culturais, corporais e histórico-sociais não-representacionais. As redes neurais artificiais carecem desse contexto prático de vida, o que as impede de ter intencionalidade genuína.
2.2 Dia 2 | Inteligência artificial e governança ética
O segundo dia abordará os impactos e riscos morais gerados pelo uso social e institucional da IA utilizando a Ética da Informação de Luciano Floridi como norteador. O objetivo é demonstrar ao público-alvo os indícios práticos que apontam a carência de uma governança pautada na ética para a IA e explicar a proposta de um framework ético possível; fundamentado nos princípios da bioética (promissores pela sua implementação já vigente na sociedade) e na transparência, visando garantir a explicabilidade dos algoritmos e proteger a sociedade contra riscos do uso da IA. Abaixo apresento as seções programadas:
- O problema da responsabilidade moral: O entendimento de que vivemos em um ecossistema informacional (infosfera) onde decisões são tomadas em várias instancias entre humanos e máquinas. Será apresentado o problema da "lacuna de responsabilidade", que ocorre quando a IA causa danos sociais ou psicológicos, mas torna-se difícil identificar quem é o agente humano moralmente culpável;
- Riscos sociais pelo uso da IA: Deskilling, manipulação e vieses: Casos práticos demonstrando que o uso irrefletido da IA pode causar a deskilling (desqualificação moral e técnica dos profissionais), manipulação cognitiva por meio de publicidade direcionada (como no caso Cambridge Analytica) e discriminação perpetuada por viés de automação em decisões jurídicas ou sociais;
- Bioética da IA e o princípio da explicabilidade: Exposição dos princípios clássicos da bioética (autonomia, justiça, beneficência e não-maleficência) e a proposta de incorporá-los à ética da tecnologia, com a adição crucial de um quinto princípio: a explicabilidade. A IA precisa ser inteligível e auditável (evitando o "efeito caixa-preta") para garantir a responsabilização e a transparência.
- O que é infraética: A urgência de implementar uma “infraestrutura ética” que integre regras de privacidade, transparência e proteção à dignidade humana de maneira preventiva, para que a moralidade seja incorporada diretamente no design da inteligência artificial e as medidas não sejam tomadas apenas reativamente, para “remediar” fatalidades já ocorridas.
- IA na pesquisa acadêmica brasileira: Explanação sobre o capítulo terceiro da portaria CNPq No 2.664, de 6 de março de 2026, que instituiu a Política de Integridade na Atividade Científica do CNPq, a fim de regulamentar as Diretrizes para uso de ferramentas de Inteligência Artificial Generativa (IAG) na pesquisa científica. Essa seção não terá caráter apenas expositivo, o intuito é criar abertura para dúvidas relacionadas à portaria e/ou sobre metodologias éticas de pesquisa utilizando IA.
2.3 Dia 3 | Inteligência artificial e religião
O último dia fará a intersecção entre o desenvolvimento da IA (ferramentas de linguagem natural) e a dimensão espiritual, teológica e antropológica do ser humano. O objetivo é demonstrar o impacto da IA na religião, elucidando como ela cria novos mecanismos de interação e percepção da fé ao atuar como uma nova possibilidade de aquisição de conhecimento e produzir representações morais e textos espirituais (como orações automatizadas). Enseja-se inspirar uma postura crítica com relação a essas ferramentas tecnológicas na medida em que se expõe situações em que os vieses e a insuficiência dos modelos de linguagem ficam evidentes por alucinar ou reduzir a profundidade moral, social e teológica a representações superficiais. Abaixo apresento as seções programadas:
- Como a IA se “posiciona” diante da religião? Apresentação do experimento prático sobre a representação axiológica da religião na IA: análise empírica de como as IAs generativas (como ChatGPT, Claude e Bing) atuam como uma “janela moralista”. Em outras palavras, o intuito do experimento é demonstrar como elas tendem a promover valores liberais, focando na pluralidade de visões, na diversidade e em incentivar debates sensíveis e respeitosos sobre a fé. Contudo, também simplificam enormemente questões teológicas complexas e omitem textos religiosos fundamentais;
- Como a religião se posiciona diante da IA? Apresentação de posicionamento da religião frente a IA. No texto escolhido, é salientado o perigo da antropomorfização e os simulacros de relação: riscos psicossociais e espirituais de tratar a IA como uma “pessoa”, o que dilui a fronteira entre o humano e o artificial. O propósito da exposição é provocar a reflexão sobre como buscar conexão emocional ou afetiva em chatbots pode gerar relacionamentos utilitários e simulacros sem vida. Esse fenômeno inspirou o Dicionário Cambridge a eleger a palavra “parassocial” como palavra do ano de 2025, ao descrever a conexão emocional unilateral que fãs sentem por celebridades, influenciadores ou personas de ficção que não conhecem pessoalmente, como as IA’s.
- Considerações sobre a midiatização das religiões: A partir de Marilena Chaui, será apresentada uma posição crítica à midiatização do fenômeno religioso. Para a autora, a lógica multimidiática promove a indistinção entre conteúdos ao integrar educação, informação e entretenimento em um mesmo padrão sensorial e cognitivo, dissolvendo fronteiras semânticas e transformando tudo em espetáculo e banalização. Nesse contexto, a religião, ao ser mediada pelos dispositivos midiáticos (ou ferramentas generativas) tende a sofrer um processo de esvaziamento simbólico, no qual seus conteúdos são fragmentados, estetizados e subordinados à lógica da visibilidade e do consumo. A encenação e a convergência digital intensificam esse processo, dando origem a uma cultura virtual na qual o simbólico é “devorado”, comprometendo a densidade reflexiva e o sentido original das práticas religiosas.
3 Referências Bibliográficas
- SEARLE, J. R. Mentes, Cérebros e Programas. Tradução de Cléa Regina de Oliveira Ribeiro. In: TEIXEIRA, J.F., Cérebros, Máquinas e Consciência: Uma introdução à Filosofia da Mente, São Carlos: Editora da UFSCar, 1996, p. 63-64.
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- SEARLE, J. R. A redescoberta da mente. 1. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2006. p. 102-122.
- SEARLE, J. R. A redescoberta da mente. 1. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2006. p. 250-271.
- FLORIDI, L. et al. An Ethical Framework for a Good AI Society: Opportunities, Risks, Principles and Recommendations. In: FLORIDI, Luciano (ed.). Ethics, Governance, and Policies in Artificial Intelligence. Philosophical Studies Series, v. 144, p. 19-39. Cham: Springer, 2021, p. 93.
- FLORIDI, L. et al. An Ethical Framework for a Good AI Society: Opportunities, Risks, Principles and Recommendations. In: FLORIDI, Luciano (ed.). Ethics, Governance, and Policies in Artificial Intelligence. Philosophical Studies Series, v. 144, p. 19-39. Cham: Springer, 2021, p. 23.
- FLORIDI, L. et al. AI4People: an ethical framework for a good AI society: opportunities, risks, principles, and recommendations. Minds and Machines: Journal for Artificial Intelligence, Philosophy and Cognitive Science, v. 28, p. 689-707. Springer, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s11023-018-9482-5. Acesso em: 12 out. 2025.
- FLORIDI, L. The Ethics of Information. New York: Oxford University Press, 2013, p. 272-273.
- BRASIL. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Portaria no 2.664, de 6 de março de 2026. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 11 mar. 2026, seção 1, p. 6.
- TSURIA, Ruth; TSURIA, Yossi. Artificial Intelligence’s Understanding of Religion: Investigating the Moralistic Approaches Presented by Generative Artificial Intelligence Tools. Religions, v. 15, n. 3, p. 375, 2024. DOI: https://doi.org/10.3390/rel15030375.
- DICASTERY FOR THE DOCTRINE OF THE FAITH; DICASTERY FOR CULTURE AND EDUCATION. Antiqua et nova: Note on the Relationship Between Artificial Intelligence and Human Intelligence. Vatican, 28 jan. 2025. Disponível em: https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_ddf_doc_20250128_ antiqua-et-nova_en.html. Acesso em: 16 abr. 2026.
- CHAUI, Marilena. Simulacro e poder: uma análise da mídia. 2. reimpr. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2006.
Resumo:
Abordagem de modos de leitura de textos filosóficos, identificando sua natureza propriamente filosófica; desenvolvimento da apresentação dos modos de leitura utilizados por Michel Foucault; destaque particular para a postura de Foucault como mestre de filosofia.
Conteúdo programático e sua distribuição nos três dias de mini-curso
1o.diaUnidade I - Considerações introdutórias sobre alguns os modos de leitura de textos filosóficos: - leitura simplista ou ingênua; - leitura dirigida ou doutrinária; - leitura reflexiva ou comprometida
Unidade II - Um exemplo específico de leitura comprometida: a proposta de M. Merleau-Ponty
2o. DiaUnidade III - Michel Foucault e seus modos de leitura - leitura direta - leitura indireta - leitura direta com eixos temáticos
3o. DiaUnidade IV - Michel Foucault, mestre - Algumas reflexões sobre a postura foucaultiana de ensino da filosofia mediante um paralelo entre dois textos: A Hermenêutica do Sujeito e Dizer a Verdade Sobre Si.
Bibliografia
- Merleau-Ponty, M. “Em toda e em nenhuma parte”. In Merleau-Ponty. Col. “Os Pensadores”. Tradução de Marilena Chauí, São Paulo, Abril, 2a.ed., 1980 . - Chauí, M. “Experiência do Pensamento”. In: Da Realidade sem Mistérios ao Mistério do Mundo. Espinosa, Voltaire, Merleau-Ponty. São Paulo, Brasiliensse, 3a.ed., 1983. - Foucault, M. História da Loucura na Idade Clássica. Tradução de José Teixeira Coelho Neto. São Paulo, Perspectiva, 2019. - Foucault, M. As Palavras e as Coisas. Tradução de Salma T. Muchail, São Paulo, Martins Fontes,2016. - Foucault, M. A Hermenêutica do Sujeito - Curso no Collège de France, 1981-1982. Tradução de Márcio A. da Fonseca e Salma T. Muchail. São Paulo, Martins Fontes, 2004. - Foucault, M. Dizer a Verdade Sobre Si. Tradução de Salma T. Muchail. São Paulo, Ubu Editora, 2022. - Muchail, S. Foucault, simplesmente. São Paulo, Intermeios, 2a.ed.,2021.16:00 – 17:30
Resumo
O presente minicurso tem como objetivo oferecer uma introdução aos principais argumentos filosóficos em favor do ateísmo, situando o debate no âmbito da filosofia da religião e da metafísica. A questão acerca da existência de Deus permanece central na tradição filosófica, sendo objeto de disputas conceituais que envolvem tanto argumentos teístas quanto críticas ateístas e argumentos positivos em favor do ateísmo (Draper, 2017; Oppy, 2013).
Nesse contexto, o ateísmo pode ser compreendido tanto como a tese de que Deus não existe quanto como a posição de que não há justificativa racional suficiente para o teísmo (Draper, 2017). Ademais, os argumentos ateístas apresentam caráter interdisciplinar, mobilizando recursos da epistemologia, da metafísica e da ética, bem como dialogando com investigações empíricas contemporâneas (Oppy, 2006).
Conteúdo Programático
Primeiro Dia: O Problema do Mal
A primeira aula será dedicada ao exame do problema do mal como um dos argumentos mais influentes contra a existência de Deus na filosofia contemporânea (Tooley, 2019; Draper, 2017). De modo geral, o problema consiste em apontar uma tensão entre a existência de um Deus onipotente, onisciente e perfeitamente bom e a presença de sofrimento e mal no mundo (Mackie, 1955). Inicialmente, será discutida a formulação do problema lógico do mal, conforme desenvolvida por J. L. Mackie, que sustenta a incompatibilidade lógica entre Deus e a existência do mal (Mackie, 1955). Em seguida, será considerada a resposta de Alvin Plantinga, cuja defesa do livre-arbítrio busca demonstrar que tal incompatibilidade não é logicamente necessária (Plantinga, 1974).
Na sequência, será abordada a versão evidencial do argumento, proposta por William Rowe, segundo a qual a quantidade e os tipos de sofrimento observados tornam a existência de Deus improvável (Rowe, 1979; Rowe, 1996). Essa abordagem será aprofundada por meio das contribuições de Paul Draper, que formula o problema do mal em termos probabilísticos, defendendo que o sofrimento constitui evidência a favor do naturalismo em detrimento do teísmo (Draper, 1989; Draper, 2017).
Além disso, serão examinadas teodiceias clássicas, como a teodiceia agostiniana e a teodiceia da formação da alma (Hick, 1966), bem como críticas contemporâneas à sua suficiência explicativa (Tooley, 2019). Por fim, será introduzido o problema do ocultamento divino, conforme formulado por J. L. Schellenberg, que argumenta que a ausência de evidência clara da existência de Deus é incompatível com a hipótese de um Deus perfeitamente amoroso (Schellenberg, 1993).
Segundo Dia: Argumentos Cosmológicos a Favor do Ateísmo
A segunda aula abordará argumentos cosmológicos contemporâneos que buscam sustentar o ateísmo ou o naturalismo metafísico (Oppy, 2006; Craig; Sinclair, 2009). Tais abordagens procuram mostrar que a hipótese teísta não possui vantagem explicativa significativa ou que é dispensável e até mesmo incoerente do ponto de vista teórico (Oppy, 2006).
Serão examinadas, inicialmente, versões modais de argumentos cosmológicos ateístas, que utilizam ferramentas da lógica modal para questionar a necessidade ou a possibilidade de um ser necessário com atributos teístas (Sobel, 2004; Oppy, 2006). Em seguida, será discutida a plausibilidade de alternativas metafísicas, como o infinitismo, que rejeitam a necessidade de uma causa primeira (Oppy, 2006).
Também será considerada a tradição naturalista associada a Epicuro, segundo a qual o universo pode ser explicado sem recurso a entidades sobrenaturais (O’Keefe, 2010). Por fim, será analisada a proposta de Graham Oppy, que sustenta que explicações naturalistas apresentam vantagens teóricas em termos de simplicidade e parcimônia ontológica (Oppy, 2006; Oppy, 2013).
Terceiro Dia: Argumento Pressuposicionalista a favor do ateísmo
A terceira aula será dedicada à análise de argumentos comparativos entre cosmovisões, com foco na abordagem desenvolvida por Graham Oppy (Oppy, 2013). Tais argumentos avaliam o teísmo e o naturalismo com base em critérios teóricos gerais, em vez de buscar uma refutação direta da existência de Deus (Oppy, 2006; Draper, 2017). Nesse contexto, o naturalismo, entendido como a tese de que toda realidade causal é exaurida por entidades naturais básicos, em contraste com o teísmo, que postula a existência de uma entidade sobrenatural fundamental (Papineau, 2016). A comparação será conduzida com base em virtudes teóricas como simplicidade, coerência, poder explicativo e compatibilidade com o conhecimento científico (Sober, 2015; Oppy, 2006). A hipótese central é que o naturalismo apresenta desempenho igual ou superior ao teísmo nesses critérios, o que justificaria sua adoção como a melhor explicação global da realidade (Oppy, 2013; Draper, 2017).
Referências
CRAIG, William Lane; SINCLAIR, James. The Kalam Cosmological Argument. In: CRAIG, W. L.; MORELAND, J. P. The Blackwell Companion to Natural Theology. Oxford: Wiley-Blackwell, 2009.
DRAPER, Paul. Pain and Pleasure: An Evidential Problem for Theists. Noûs, v. 23, n. 3, 1989.
DRAPER, Paul. Atheism and Agnosticism. In: ZALTA, Edward N. (ed.). The Stanford Encyclopedia of Philosophy. 2017.
HICK, John. Evil and the God of Love. London: Macmillan, 1966.
MACKIE, J. L. Evil and Omnipotence. Mind, v. 64, n. 254, 1955.
O’KEEFE, Tim. Epicurus. In: ZALTA, Edward N. (ed.). The Stanford Encyclopedia of Philosophy. 2010.
OPPY, Graham. Arguing about Gods. Cambridge: Cambridge University Press, 2006.
OPPY, Graham. The Best Argument against God. London: Palgrave Macmillan, 2013.
PAPINEAU, David. Naturalism. In: ZALTA, Edward N. (ed.). The Stanford Encyclopedia of Philosophy. 2016.
PLANTINGA, Alvin. God, Freedom and Evil. Grand Rapids: Eerdmans, 1974.
ROWE, William L. The Problem of Evil and Some Varieties of Atheism. American Philosophical Quarterly, v. 16, n. 4, 1979.
ROWE, William L. The Evidential Argument from Evil. In: HOWARD-SNYDER, D. (ed.). The Evidential Argument from Evil. Bloomington: Indiana University Press, 1996.
SCHELLENBERG, J. L. Divine Hiddenness and Human Reason. Ithaca: Cornell
University Press, 1993.SOBEL, Jordan Howard. Logic and Theism. Cambridge: Cambridge University Press, 2004.
SOBER, Elliott. Ockham’s Razors: A User’s Manual. Cambridge: Cambridge University Press, 2015.
TOOLEY, Michael. The Problem of Evil.
Resumo
O minicurso proposto pretende 1) contextualizar as genealogias de Freud e Nietzsche contidas em Totem e tabu e Genealogia da moral, respectivamente, a partir dos precedentes com os quais dialogam, 2) apresentar narrativamente o conteúdo genealógico das duas obras e 3) propor uma comparação entre os modelos antropológicos extraídos das duas genealogias, delimitando suas vocações e limites.
Para cumpri-lo, pretendo partir do contexto de discussion em que os dois textos foram produzidos, evidenciar o que essas obras apresentam de seminal para o pensamento sobre a cultura a partir desses dois autores e isolar a antropologia implícita nesses dois estilos de avaliação da cultura, suscitando reflexão sobre seus domínios de pertinência.
Programa (sumário)
1. As genealogias de Nietzsche e Freud como objeções
1.1. O argumento de Jung contra a redutibilidade da libido à sexualidade.
1.2. O compromisso de Freud com a universalidade do Édipo e caráter sexual da libido.
1.3. Paul Rée e as genealogias inglesas.
1.4. A distinção entre causa e origem em Nietzsche.
2. A renúncia pulsional em Nietzsche e Freud
2.1. Os dois artigos genealógicos de Totem e tabu.
2.2. O realismo da hipótese de Freud e sua recepção.
2.3. A genealogia de Nietzsche e sua significância.
2.4. Nietzsche e a avaliação da cultura.
3. Limites e potencialidades dos modelos de tipo freudiano e nietzschiano para a análise de conjuntura
3.1. A antropologia subjacente às genealogias de Freud e Nietzsche.
3.2. Diferenças sobre a renúncia pulsional.
3.3. Avaliação dos modelos nietzschiano e freudiano a partir das divergências sobre a renúncia pulsional.
Conteúdo programático
Primeiro dia: As genealogias de Nietzsche e Freud como objeções
A primeira exposição tem como objetivo apresentar os precedentes imediatos das genealogias nietzschiana e freudiana que lançam as bases fundamentais das análises de conjunturas sociais, inspiradas pelo pensamento de Nietzsche e Freud. Esses precedentes são A origem dos sentimentos morais, de Paul Rée, e Transformações e símbolos da libido, de Carl Jung, e serão expostos de forma sumarizada com o intento de explicitar as motivações e compromissos de entrada dos trabalhos Totem e tabu e Genealogia da moral, respectivamente.
Orientada por esses propósitos, a exposição se divide da seguinte forma: seu primeiro momento é dedicado a expor a controvérsia entre Freud e Jung, proporcionada pela defesa por parte do discípulo suíço de que a libido consistia em uma energia psíquica mais ampla, relegando sua ligação com o sexual enfatizada por Freud a manifestações episódicas e limitadas de sua natureza. Com isso em vista, pretende-se demonstrar como a ruptura de Jung atrai Freud para o campo etnopsicológico, em que encontra a psicologia experimental de Wundt como outro interlocutor, e estabelece as bases inaugurais de sua análise da cultura.
Seu segundo momento trata da apresentação da genealogia de Paul Rée, autor que sintetiza uma corrente de construções históricas, hoje ainda significativas, de tipo naturalista e que buscam uma explicação linear para as disposições morais. O intento dessa contextualização é introduzir as objeções que abrem a Genealogia da moral de Nietzsche e permitem o delineamento de uma forma de diagnóstico de contexto diferente daquela inspirada pelas intuições freudianas.
Segundo dia: A renúncia pulsional em Nietzsche e Freud
O segundo dia de exposições propõe o percurso das construções genealógicas de Nietzsche e Freud pela perspectiva da economia pulsional. Para tanto, serão apresentadas narrativamente a genealogia de Totem e Tabu, que será suficientemente explicada sumarizando seu primeiro e quarto artigo, enquanto Genealogia da moral será apresentada por meio de uma síntese das três dissertações que a compõe.
O saldo pretendido dessa comunicação é extrair dessas obras seminais as linhas fundamentais para a análise de contextos sociais em Freud e Nietzsche e preparar a discussão final sobre os limites desses modelos, considerando as especificidades nos tipos de arranjos sociais que se propõem a analisar.
Terceiro dia: Limites e potencialidades dos modelos de tipo freudiano e nietzschiano para a análise de conjuntura
A terceira exposição pretende retomar a reconstrução narrativa das genealogias de Totem e tabu e Genealogia da moral para destacar nelas a presença de duas teorias antropológicas distintas, no sentido de teorias não-empiristas sobre o humano, e sistematiza-las em seus eixos principais.
Nessa sistematização, o modelo antropológico freudiano concebe os grupos humanos como sujeitos a uma distribuição homogênea da renúncia pulsional, onde cada membro abdica individualmente de uma cota similar de satisfação pulsional. Esse mesmo modelo apresenta como ponto opaco a situação das mulheres, que são meta da satisfação pulsional na teoria que cria a antropologia freudiana.
Já o modelo nietzschiano será apresentado como aquele no qual se supõe ocorrer de entrada uma heterogeneidade das exigências de renúncia pulsional, que foram progressivamente equalizadas por meio da inversão do sentido das valorações. Nesse caso, os modos de vida privilegiados pela natureza ou costume, as classes elevadas, encontravam-se em um estado de baixa exigência de abdicação pulsional, até a universalização dos ideais ascéticos.
O saldo deste percurso e conclusão do minicurso proposto se dará com o apontamento dos limites do modelo antropológico freudiano, respondendo esses por arranjos sociais onde diferenças de gênero e de diferenças nas exigências de renúncia pulsional, como no caso das diferenças de classe, são relevantes. Já o modelo nietzschiano será situado como pouco vocacionado para o macrodiagnósticos, prometendo ser um pertinente retificador ocasional de modelos que se baseiam em suposições universalizantes sobre a condição humana.
Textos de referência
FREUD, Sigmund. Totem e Tabu. In: Obras completas de Sigmund Freud. Volume 11. (Paulo César de Souza, trad.). Cia. das Letras, 2012 (Trabalho original publicado em 1912-1913).
NIETZSCHE, Friedrich. Genealogia da moral (Paulo César de Souza, trad). São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
Referências Bibliográficas
FREUD, Sigmund. Der Mann Moses und die monotheistische Religion. In: Gesammelte Werke: chronologisch geordnet. Band 16. S. Fischer Verlag, 1961.
FREUD, Sigmund. Totem und Tabu. In: Gesammelte Werke: chronologisch geordnet. Band 9. S. Fischer Verlag, 1961.
FREUD, Sigmund. Moisés e o monoteísmo. In: Edição Standard Brasileira das obras completas de Sigmund Freud. Volume 32. Imago, 1996 (Trabalho original publicado em 1939).
FREUD, Sigmund. Totem e Tabu. In: Obras completas de Sigmund Freud. Volume 11. (Paulo César de Souza, trad.). Cia. das Letras, 2012 (Trabalho original publicado em 1912-1913).
GIACOIA JÚNIOR, Osvaldo. Labirintos da alma: Nietzsche e a auto-supressão da moral. Editora UNICAMP, 1997.
JUNG, Carl Gustav. Psychology of the Unconscious: A Study of the Transformations and Symbolisms of the Libido. Moffat, Yard and Company, 1916 (Trabalho original publicado em 1912).
KROEBER, Alfred Louis. Totem and taboo: an ethnologic psychoanalysis. American anthropologist, v. 22, n. 1, p. 48-55, 1920.
MONZANI, Luiz Roberto. Totem e tabu: uma revisão. Revista de Filosofia Aurora, v. 23, n. 33, p. 243-255, 2011.
NIETZSCHE, Friedrich. Sämtliche Werke: Kritische Studienausgabe in 15 Bänden (Colli, G. & Montinari, M. Eds.). De Gruyter, 1988.
NIETZSCHE, Friedrich. Genealogia da moral (Paulo César de Souza, trad.). Companhia das Letras, 2009.
RÉE, Paul. A origem dos sentimentos morais (Claudemir Araldi, trad.). Editora Unifesp, 2021.
RUBIN, Gayle. The traffic in women: Notes on the "political economy" of sex. In: Toward Anthropology of Women (Rayna R. Reiter, Ed.). Monthly Review Press, pp. 157-210, 1975.
Resumo
O minicurso apresenta e discute criticamente alguns aspectos centrais: do movimento intelectual e social chamado altruísmo eficaz (AE), da necessidade de usar evidências científicas para se entender objetivamente problemas sociais e propostas de soluções, e da importância de se mobilizar pensamento moral crítico e sabedoria espiritual clássica na reflexão envolvida.
Para tanto, o curso (1) avaliará princípios e propostas principais do AE, (2) apresentará elementos básicos de metodologia científica e de metodologia ética, e (3) apresentará alguns aspectos do budismo e do cristianismo católico relacionados ao AE. Os três pontos estão relacionados diretamente ao engajamento individual e comunitário em favor de um mundo melhor.
Durante apresentações e debates, se lidará também com três causas mais comuns do AE, o fim da pobreza extrema, o fim do sofrimento dos animais de criação industrial e a eliminação ou mitigação de riscos catastróficos, por exemplo, riscos da inteligência artificial (IA) desalinhada.
Conteúdo e programa
DIA 16/06/2026: 16h às 17h30m
1. Introdução: a filosofia moral e sua aplicação
1.1 Metaética, ética normativa, axiologia e casuística.
2. Altruísmo eficaz: princípios, metodologia e aplicação
2.1 O maior bem e a priorização baseada em evidência de causas
2.2 Causa 1: o fim da pobreza extrema
2.3 O desapego budista e as obras de misericórdia do Catolicismo.
DIA 17/06/2026: 16h às 17h30m
3. Causa 2: o fim do sofrimento dos animais de criação
3.1 A exploration em escala industrial dos animais ditos “de criação”
3.2 O erro moral do especismo
3.3 Animais, Catolicismo e cultura
3.4 Ações altruístas e Budismo.
DIA 18/06/2026: 16h às 17h30m
4. Riscos catastróficos (x-risks) e o precipício de Tob Ord
4.1 IA: Trick or treat!
4.2 Alinhamento e desalinhamento
4.3 IA, não-identidade budista e a transcendência cristã: haverá uma alma digital?
5. Buscando conhecimentos científicos robustos atualmente disponíveis
5.1 Um padrão-ouro: o método dos estudos clínicos (clinical trials)
5.2 Fontes de evidência: artigos revisados; RSL, pareceres técnicos, banco de dados, protocolos nacionais e internacionais de saúde, a opinião acadêmica estruturada.
5.3 Colocando agentes de IA para busca, revisão e autocrítica.
Referências
1. ALTRUÍSMO EFICAZ: altruismoeficaz.com.br
2. ALTRUÍSMO EFICAZ BRASIL: altruismoeficazbrasil.com.br
3. MACASKILL, W. and MEISSNER, D. (2023). Acting on Utilitarianism. In R.Y. CHAPPELL, D. MEISSNER, and W. MACASKILL (eds.), An Introduction to Utilitarianism, utilitarianism.net/acting-on-utilitarianism, accessed 12/04/2026.
4. BONELLA, Alcino E. Utilitarismo, Altruísmo Eficaz e Política. Guairacá Revista de Filosofia, Guarapuava-PR, V36, N2, P. 109-130, 2020 Acessar artigo
5. CENTER FOR EFFECTIVE ALTRUISM: centreforeffectivealtruism.org
6. GIVE WELL: givewell.org
7. CONSENSUS: consensus.app
8. CLAUDE: claude.ai
9. ELICIT: elicit.com
10. SINGER, Peter. The Life You Can Save: How to Do Your Part to End World Poverty. 10. ed. rev. New York: The Life You Can Save, 2019. thelifeyoucansave.org/book/
11. DICASTERY FOR THE DOCTRINE OF THE FAITH; DICASTERY FOR CULTURE AND EDUCATION. Antiqua et Nova: Note on the relationship between artificial intelligence and human intelligence. Vatican City: Libreria Editrice Vaticana, 2024. Acessar documento do Vaticano
12. Baker, C. (2023). Buddhism and Utilitarianism. In R.Y. Chappell, D. Meissner, and W. MacAskill (eds.), An Introduction to Utilitarianism, utilitarianism.net/guest-essays/buddhism-and-utilitarianism
13. OUR WORLD IN DATA: ourworldindata.org